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O NORDESTINO NÃO DESISTE, MAS NÃO PODE SER ENGANADO: Quando a esperança de um povo é tratada como moeda de troca a cada eleição.

Não confieis em príncipes, nem em nenhum filho de homem, porque não há neles salvação. Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no Senhor, seu Deus. Salmos 146:3-5 (NAA)

Há um ditado que diz: contra fatos não há argumentos. Mas estamos vivendo dias em que até os fatos são falseados e os argumentos se tornam frágeis diante de uma máquina inteira que fabrica mentiras e as repete, ano após ano, ciclo após ciclo, até que pareçam verdades.

Hoje, 08 de outubro, Dia do Nordestino, não é dia de festa para quem conhece a dor por dentro. Não é discurso de palanque: é história vivida. Quem esperou uma fila que não andava no posto de saúde, viu o filho estudar em escola que mais distorce a realidade do que forma o caráter, e assistiu à violência marcar a sua cidade, esse sabe do que estou falando. E os números públicos confirmam o que o povo sente.

Segundo o IBGE (Síntese de Indicadores Sociais), o analfabetismo no Brasil alcançou mais de 9 milhões de pessoas em 2024 e o Nordeste concentrava mais da metade, com taxa mais que o dobro da média nacional.

Metade dos analfabetos do país vive numa só região. Isso não é acidente: é o retrato de décadas em que a promessa de educação digna virou discurso de campanha, e a escola em vez de preparar o cidadão para discernir a realidade, passou a ser, muitas vezes, o lugar onde a realidade é distorcida. Um povo que não lê depende de quem conta a história por ele. E quem conta a história por ele governa a mente dele antes das urnas.

Na saúde, o quadro também não é invenção de quem reclama. Levantamentos nacionais de 2025 mostraram que a espera média por consulta no SUS bateu recorde, chegando a 57 dias, e que pacientes com câncer chegam a esperar mais de 180 dias para iniciar o tratamento quando a própria lei garante 60 dias.

Quem tem dinheiro busca plano de saúde, hospital particular, remédio importado. Quem não tem, espera. E esperar, na saúde, muitas vezes significa morrer na fila.

A nossa Constituição garante o princípio da dignidade da pessoa humana, e isso não deve ficar somente no papel, pois o direito que não chega ao povo humilde é privilégio dos que podem comprá-lo.

Na segurança, o quadro pede honestidade dos dois lados. A taxa de homicídios do Brasil vem caindo e atingiu o menor patamar da série histórica em 2024, segundo o Atlas da Violência e o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Mas o dado que ninguém pode esconder é outro: enquanto o Sudeste registrou a menor taxa de sua história, o Nordeste ainda vive com uma taxa de mortes violentas cerca de 150% maior que a média nacional.

Para o pai que enterra o filho no sertão, estatística “nacional” não consola estatística “regional”. A violência não se resolve com discurso; se resolve com justiça que pune, polícia presente e principalmente com famílias inteiras, pais e mães, firmes no temor de Deus, formando gerações que não escolhem o crime como caminho.

A PERGUNTA QUE DEVEMOS FAZER A NÓS MESMOS

O reflexo do problema estadual não é um mistério sem explicação. Ele tem endereço, tem gestão e tem voto. Os estados que governam com o princípio da ordem, do trabalho e da responsabilidade lutam para reduzir seus problemas e os dados mostram que lutam com eficácia: em Santa Catarina, a menor taxa de homicídios do Brasil; no Rio Grande do Sul, a menor da própria história; no Paraná, queda de quase um terço em dez anos. Em muitos outros estados, o problema só cresce e o Nordeste paga a conta mais alta dessa escolha, há décadas.

Mas antes de apontarmos o dedo para fora, a reflexão nos obriga a uma pergunta mais dura: realmente só os outros estão no caminho errado e nós estamos certos? Será mesmo? Se um estado acerta, não é porque é sulista; é porque, ainda que inperfeitamente, seguem princípios que Deus honra: trabalho, família, ordem, verdade.

Se um estado erra, não é porque o seu povo é pior é porque aceitou, eleição após eleição, governos que andam na contramão desses princípios. A culpa não é do mapa. É das escolhas. E escolhas podem mudar.

Que isso nos guarde de dois erros: o de achar que a nossa região é intocável, e o de achar que qualquer outro lugar é solução pronta. Não existe redenção em partido, nem em sigla, nem em geografia. Existe redenção quando um povo se levanta, testa tudo pela verdade (1 Tessalonicenses 5:21), e cobra de qualquer governante, de qualquer partido, aquilo que a Escritura exige de quem governa: justiça imparcial, proteção do inocente, punição do malfeitor (Romanos 13:3-4). 

“Quando os justos governam, o povo se alegra; quando o ímpio domina, o povo geme” (Provérbios 29:2). O povo nordestino geme há tempo demais. E geme não por maldição, mas por escolha sua e a de quem o governa.

Que a festa, então, seja do povo do trabalhador honesto, da família que oram junto, do jovem que estuda e nunca da corrupção e da marginalidade.

A RAIZ DE TUDO: A MENTIRA

E é aqui que quero falar com você de coração. O pior de tudo não é a miséria. É vê-la sendo renovada a cada voto. É ver pessoas que se dizem cristãs, de coração e de boca, entregando o futuro dos próprios filhos e netos por migalhas, por promessas de vinte anos que nunca se cumpriram.

Porque a pobreza se combate com trabalho digno, família estruturada, educação de verdade e justiça imparcial, exatamente as coisas que o pensamento que domina a esquerda trata com desdém: chama o trabalho de “opressão”, relativiza a família, defende a morte do inocente no ventre (a lei brasileira só admite o aborto em casos restritos, e cada ampliação desse limite é um passo contra a vida), e troca a segurança do cidadão honesto pela ternura com o bandido. Não é sectarismo afirmar isso; é coerência com a Palavra de Deus.

A Escritura não deixa dúvida: os mentirosos têm lugar reservado no fim (Apocalipse 21:8). E quem ama a mentira caminha com eles. Como, então, um cristão pode conscientemente votar em quem se ergue contra a família, contra o valor do trabalho, contra a vida, contra a justiça que protege o bom cidadão?

A resposta dolorosa é: por falta de verdade. Muitos não escolheram o mal, foram convencidos por ele disfarçado de compaixão. Estudos e até pesquisas do próprio Senado mostram que a maioria dos brasileiros acredita que notícias falsas influenciam eleições e, a cada ciclo eleitoral, a desinformação se intensifica.

A mentira virou estratégia de campanha. Por isso a tarefa de hoje não é ódio, é despertar. “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32). Liberdade começa na mente, antes da urna. O cristão que ama a verdade tem o dever de testar tudo (1 Tessalonicenses 5:21), de não engolir fake news como se fosse verdade, de checar antes de compartilhar, e de ensinar seus filhos a discernir antes que o mundo os eduque ao contrário.

Que ninguém me entenda mal: não odeio ninguém. Oro pela nação e pelos eleitos, sejam eles da esquerda ou da direita, Deus não é candidato de partido nenhum, e a nossa confiança final não está em príncipe algum (Salmos 146).

Mas exercer a cidadania não pode ser feito com desprezo pela Palavra de Deus. Nós, cristãos, devemos escolher apenas candidatos cuja agenda, pauta e fala não contradiga aquilo que Deus ordena e não se choquem com a Sua Palavra. Votar é um ato moral: diante de Deus, o que sustentamos com o nosso voto também teremos de sustentar diante d'Ele.

Mas amar o próximo inclui dizer a ele a verdade (Efésios 4:15), ainda que a verdade incomode. O que não se pode é amar o próximo o suficiente para deixá-lo acreditando em toda mentira que destrói a casa dele e a dos seus filhos.

Nordestino não desiste. Ele cai, geme, apanha, levanta e segue. Mas seguir não é repetir. O ciclo só se rompe quando o povo troca a mentira confortável pela verdade desconfortável. Não confie em príncipes.

Confie em Deus, vote com uma convicção justa e que a Sua Palavra seja como uma bússola, e ensine o próximo a fazer o mesmo. Que hoje, Dia do Nordestino, o nordestino não vote mais no que somente promete e não faz.

Que Deus tenha misericórdia da nossa nação. Que Ele abra os nossos olhos espirituais para enxergar o mal onde ele estiver mesmo quando vier disfarçado de bondade, de promessa ou de compaixão e nos dê sabedoria para não vendermos o nosso caráter.

Que os nossos filhos e netos herdem não apenas um país melhor, mas uma fé que não se dobra diante da mentira. E que, quando chegar a hora de decidir, o povo brasileiro e o nordestino em especial escolha o caminho certo. 

FONTES DOS FATOS CITADOS

Analfabetismo: IBGE. Síntese de Indicadores Sociais 2025 e Educação 2024 - Brasil teve 9,1 milhões de analfabetos em 2024 (5,3%); o Nordeste concentrou 55,6% desse total, com taxa de 11,1%, mais que o dobro da média nacional.
Agência IBGE. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47221-analfabetismo-fica-abaixo-de-5-em-2025-mas-8-4-milhoes-ainda-nao-sabem-ler-e-escrever.
Valor Econômico. Disponível em: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2025/12/03/taxa-de-analfabetismo-do-nordeste-foi-mais-do-que-o-dobro-da-media-nacional-em-2024-diz-ibge.ghtml

Pobreza: IBGE SIS 2025 - pobreza caiu de 27,3% para 23,1% entre 2023 e 2024 (menor nível da série histórica), com o Nordeste ainda concentrando a maior proporção de população pobre do país.
Agência IBGE. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45344-8-6-milhoes-de-pessoas-sairam-da-pobreza-entre-2023-e-2024

Saúde: levantamento do jornal O Globo (março de 2025) - espera média por consulta no SUS bateu recorde de 57 dias; espera por cirurgia oncológica pode chegar a 188 dias, descumprindo a lei que garante 60 dias.
O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/especial/entre-a-fila-do-sus-e-a-vida-espera-para-consultas-bate-recorde.ghtml

Segurança: Anuário Brasileiro de Segurança Pública e Atlas da Violência (IPEA/FBSP) - menor taxa de homicídios da série histórica no Brasil em 2024 (20,1 por 100 mil), mas com o Nordeste registrando 33,8 por 100 mil, cerca de 155% acima do Sudeste.
Anuário FBSP. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/publicacoes/anuario-brasileiro-de-seguranca-publica
Agência Brasil. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-05/brasil-tem-menor-taxa-de-homicidios-da-serie-historica-em-2024

Comparativo entre estados: Santa Catarina com a menor taxa de homicídios do país (7,6/100 mil) Crime Brasil. Disponível em: https://crimebrasil.com.br/analises/estados-mais-violentos-brasil-2024; Rio Grande do Sul com queda de 38,5% entre 2014 e 2024 e menor taxa da sua história.
Portal do Estado do RS. Disponível em: https://estado.rs.gov.br/rio-grande-do-sul-registra-a-quinta-menor-taxa-de-homicidios-do-pais-em-2024; Paraná com queda de 31,4% em dez anos.
Portal G1. Disponível em: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/05/26/atlas-violencia-numeros-parana.ghtml; Ideb do Sul (6,4) acima do Nordeste (5,6) nos anos iniciais
O Globo / INEP. Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2024/08/14/ideb-2023-veja-resultado-por-estado-e-regiao.ghtml

Desinformação: pesquisas do DataSenado e ações do TSE confirmam que a maioria dos brasileiros considera que notícias falsas impactam eleições, com intensificação da desinformação a cada ciclo. 
DataSenado. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/08/23/para-brasileiros-noticias-falsas-impactam-eleicoes-revela-datasenado

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